23 de out. de 2009

ENSINANDO MOSTRANDO COMO...




– ENSINANDO O CRIME



Antes da chegada do radio, o analfabeto sabia dos
crimes e dos métodos criminosos ouvindo relato de
alguém que, ou os cometera, ou testemunhara ou
ouvira os pormenores pela boca do vizinho ou do povo.

Seu conhecimento do crime era limitado.

Aí veio o rádio. Já agora o analfabeto tinha acesso a
mais informação e ouvia os fatos e, consequentemente,
mais detalhes que o locutor apresentasse.

O analfabeto se tornara mais capaz pois conhecia
novas facetas do crime. O conhecimento é poder!

E aí veio o fim do mundo! Veio a televisão e acabou-se
o analfabetismo... do criminoso.

A televisão começou a ensinar o crime. A televisão,
pretendendo educar, passou a dar detalhes de como
cometer, como planejar, como achar asseclas, como
subornar.

Ensinou os métodos doentios de o cometer.

Colocar uma família (pai, mãe e filhos menores)
dentro de um carro e incendiá-lo, se comprazendo
com a morte dolorosa.

Como entrar nos edifícios enganando os porteiros.
Como aguardar a chegada dos moradores e os modos
mais práticos de os assaltarem.

A televisão ensina como desligar alarmes. Ensina a
usar uniformes que abrem portas e baixam o cuidado
de garagistas e funcionários.

Ensinou ao jovem aprendiz do crime a matar seus
desafetos, primeiro esfacelando seus joelhos com tiros,
e em seguida os queimando ainda vivos.

O jornal vive disso. Os reporters são despachados
pelo jornal para a rua com a recomendação de trazer
matéria jornalística, coisa que todos queiram ler, fatos
que aumentem a circulação, primeiro pelos leitores
ávidos por detalhes sórdidos e cruéis, e em seguida
pelo homem que se acostumou a tudo aceitar desde
que não seja com ele.

Mas a realidade é que, vendendo mais jornais e
aumentando a audiência dos programas de TV,
percebo que é assim que alguns grandes amigos meus
ganham a vida e sustentam suas famílias.

x-x-x-x


É isso aí. . . depois da gripe que me derrubou por 12 dias.

24 de set. de 2009

MAIS ABSTRAÇÕES




Como o programa se recusou terminantemente a incluir mais imagens ao blogger anterior, insistente, montei mais um com as figuras acima.

Rio, 24 setembro de 2009

Insisti sem sucesso. Talvez mais tarde ou amanhã eu consiga.

ABSTRAÇÕES

Usando o amigável programa do Windows, Paint, que vem com o programa, aqui vão algumas distrações, digo, abstrações.







14 de set. de 2009

TUDO GENTE BOA




Algum conhecido seu entre essa gente boa?

Me diga o nome e de onde o/a conhece.

O gato é o falecido Dr Unha que morreu lutando por sua
amada aqui no Morro da Babilônia.

O outro gato, junto da Lola, é o Mijon que fazia sucesso
aqui na comunidade há uns 15 ou 20 anos.
Falava francês e entendia inglês.

No grupo há duas moças peladas. Grandes moças!

E o bode aí está para lembrar viagens ruins e uísques falsificados.

Até amanhã.

9 de set. de 2009

TEMPOS NOVAIORQUINOS

Jovem, imigrante nosEEUU, vivendo em New York, 1949, conheci em um concerto
musical, uma linda jovem. Seu nome: Faith Dane.



Começamos a sair juntos e éramos
ambos de uma pobreza franciscana que, em geral derruba mas conosco
ensinou o caminho das pedras.

Faith tentava entrar para o show-business e, naquele tempo, era fácil ver quem o fazia
devido a uma enorme bolsa redonda, uma "chapeleira", onde levava trajes, sapato e
outros itens que poderiam ser precisos numa "audition" ou entrevista para emprego
no palco.

Consigo carregava uma lista de todos os agentes e "shows" sendo montados e,
diariamente fazia uma ronda, neles tentando uma colocação.

Alegre e incrivelmente descontraída, histriônica ao exagero, mais rapidamente do
que uma pessoa demasiado discreta e encabulada, me fez conhecer a cidade.

No verão íamos de carona para o fim de semana em Tanglewood, Mass. onde se
ouvia música sinfônica num enorme parque.
Lá funcionava, como maestro, o nosso Eliazar de Carvalho que eu somente via à
distância. Ele era muito importante.

Dormíamos em depósitos de lenha numa das propriedades comuns no estado e
comíamos quando era grátis ou algo a nós oferecido.

Me recordo que, numa carona de volta para Manhattam, num carro de duas amigas,
soubemos que elas passavam o fim de semana fazendo experiências culinárias.
Naquele fim de semana atacaram os "biscoitos amanteigados".

Com não havíamos comido desde a noite anterior, fomos aceitando provar das
inúmeras latas de diferentes sabores dos "biscoitos amanteigados".
Não sei, durante as duas ou três horas de viagem, quantos e diferentes biscoitos
eu comi.

Depois desse dia e do intenso mal-estar que passei, até hoje, 59 anos passados,
evito olhar para algo que se pareça com um biscoito amanteigado.

Mudei-me para a Califórnia e nunca mais a vi.

Ontem, vendo a foto que tiramos juntos em Washington Square, no Village de NYC,
pensei na moça.
Entrei no Google e, surpresa, encontrei extenso material sobre sua
carreira musical; mas, pelo que li, de médio sucesso.

Tornou-se conhecida mas, pelo que leio hoje, não como e tanto quando desejou.

Acredito que por conta de um retrato que ela pintou de mim (pintava, tocava piano,
dançava e atuava) me interessei pelo desenho e pintura.



New York, 1949. Bons tempos com Faith Dane.

PROCURANDO VELHOS NÚMEROS



Fui procurar um número de telefone de outros tempos, num velho
caderno de anotações. E entre tudo que nele foi anotado, descobri
alguns ditados . . . ou coisa parecida.
Aí vai:


O corcunda sabe como se deita

Não é o apito que faz o trem andar

Algumas pessoas acreditam em qualquer coisa que você cochiche

Canibal chega em casa e sente cheiro de comida.
- É o jantar? A mulher diz que sim.
E ele: - Alguém conhecido?

Coice de égua não machuca o cavalo.

Preocupação dá a uma coisinha uma longa sombra

É melhor se ter renda do que se ser fascinante.

Você pode fingir que é sério mas não que é engraçado.

Estou morando onde a pizza chega antes da polícia.

Se o crime não compensasse não havia crime.

A vida não é só uma cadela. É isso e ainda tem filhos.

É a lata vazia que faz mais barulho.

Somos o produto de quem nos amou. Ou não.

O escritor acha do crítico o mesmo que a árvore acha do cachorro.

Quem procura vingança deveria cavar dois túmulos.

Nunca queira dizer a última palavra. Você pode conseguir.

Quando a boca tropeça é pior do que o pé.


Rio - Setembro 9 2009

7 de set. de 2009

REMEXENDO GAVETAS DO MAPEIRO

Feriado Nacional, manhã meio querendo chover, vamos remexer gavetas.

O desenho abaixo nada tem demais senão pelo fato de ter sido feito num papelão feito em casa.
A ídeia era fazer papel mas, sem querer, saiu grossão.




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E abaixo um desenho feito em negativo. Explico: O desenho é feito na cartolina com uma ponta fina de metal. Isso "indenta" a folha e o desenho não é visto.

Em seguida a cartolina recebe um rolo de impressão com tinta de imprensa.

Onde havia um desenho calcado a tinta não alcança e deixa um negativo branco.
Desses desenhos fiz uma exposição nos anos 70 e foi bem, obrigado.



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A moça bonita aqui retratada, na época casada com um amigo de longa data, posou para este desenho com a idéia de, mais adiante, ter seu retrato pintado à óleo.

Infelizmente a moça foi embora, deixou o amigo (não sei se em comum acordo) e foi ser bela alhures.

Nunca mais a vi. Ficou esse guache em cartolina.

A moça era realmente lindíssima.



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Nos bons tempos em que se viajava para o interior, de Minas e do RJ, para simplesmente pintar quadros, na década de 60, encontrei o autor dos desenhos abaixo.

Para mim, dois exemplos de arte naïve ---(ou sómente naive )--- onde vejo mais arte do que em muitos museus.

Para mim que acho que o desenho feito livremente por crianças (não atormentadas por exigências de pais e mestres) é arte na sua forma mais real.

E esse valor é por ser feita sem a intenção de agradar.

Já na produção de um trabalho pelo pintor "naive" há intenção de agradar para, finalmente, poder vender sua obra.

Ainda assim vejo em sua obras a pouca ciência e a ingenuidade, grandes qualidades ao se embarcar no imaginário que as produz.




E assim se foi a manhã do feriado de 7 de setembro.

29 de ago. de 2009

TRECHO DE CARTA PARA SÔNIA

Dois queridos amigos, um casal maravilhoso, mudam-se para Paris.
Tempos após sua ida, e acho que por sentir falta dos dois, mandei-lhes
uma longa carta... Paris...meu período lá tentando estudar ...a vida
no Rio e outras considerações. Uma longa carta.

Hoje encontrei cópia, reli e, me permitindo um momento mais cordial e
menos censurado que tenho com meus escritos, tirei um trecho que aqui
transcrevo.

E isso, acredito, é por conta de uma saudade deles dois.

DE UMA CARTA PARA SÔNIA LINS - 20-setembro-1991

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Deixei de ver muitas coisas e, pensando bem, eu talvez não tenha querido ver..

Isso me faz pensar numa passagem de um pequeno ensaio a ser escrito sobre moça,
cega de nascença, que por conta de um transplante, passou a enxergar.

Naturalmente que o fato de ver, para quem jamais o tinha feito, é por si só um acontecimento da maior importância... todo um mundo de comparações entre aquilo que se imaginava e que, agora, se podia ver.
Formas, cores e movimentos, sem dúvida, um acontecimento incomparável.

0 "it" da coisa toda, porém é que ela se apaixona perdidamente por um jovem e,
ao acariciar sua mão, ela fecha as olhos para sentir melhor o toque, a maciez,
e o calor da pele em que tocava.

De olhos fechados se vê melhor?

Não é verdade que muita vez cerramos nossos olhos para melhor sentir?

Acho que podemos lembrar das ocasiões em que fizemos isso. Há gente que cerra os olhos para saborear um vinho, sentir um perfume, descobrir o que contêm um embrulho de presente.

Fico imaginando se isso não é uma inconsciente recordação de um período ainda uterino, tépido, aconchegante, no silêncio "submarino" do ventre materno.
Uma lembrança talvez ainda mais antiga, milhões e milhões de anos, de quando saímos do mar ...com os olhos ofuscados por uma nova luz

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27 de ago. de 2009

COMPANHEIROS DOS TEMPOS DO BAR INGLÊS



Nestas imagens estão meus velhos companheiros dos tempos

do saudoso BAR INGLÊS.

Hoje, em seu lugar, existe uma sala de autópsia.

Há um ditado que diz: Não há bem que sempre dure,

nem mal que não se acabe.

Quem criou esse ditado sabia das coisas.

AQUARELA DOS VELHOS TEMPOS


Nem sei quando fiz essa aquarela.

Pintada sobre cartolina preparada com acetato de polivinila.

Essa explicação é para criar mais importância a um pequeno trabalho, só isso!

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Quem sou eu

Minha foto
SILVA COSTA - Pintor, nascido em São Paulo, Brasil, em 1927. Morou e estudou no Rio de Janeiro até 1949 quando viajou para os EEUU. Estudou desenho e pintura no Institute of Mechanics and Tradesmen em Nova Iorque, mudando-se em 1950 para a California, Carmel-by-The-Sea onde trabalhou e estudou desenho e pintura. Trabalhou na Army Language School na vizinha cidade de Monterey e estudou técnicas do retrato com Warshowski. Em 1955 viajou para a Europa onde estudou, na Academie de La Grande Chaumiere, em Paris por alguns meses.