
Nos meus mais de 50 anos de pintura visitei vários ateliers, ou oficinas de pintura, onde um bule de café era usado para guardar pincéis. Alguns eram comuns, comprados nas lojas; e outros, dependendo da sorte, eram bules antigos, alguns até peças de antiquários.
Lembro que toda a vida usei um, verde, pequenas flores em ramos o enfeitavam, e mostrava uns lascados, produtos de muitos anos de vida e alguns acidentes de percurso.
A tampa do bule permanecia aberta e que era onde normalmente se encontrava a caixa de fósforos para o cigarro e outros "acendimentos".
Tenho agora esse bule meio rosado aí, um pouco "fresco" demais, sofrido e desgastado pelo tempo ou pelos maus-tratos de antigos donos. Hoje, aposentado, mora num armário da sala com alguns tristes santos barrocos. À propósito, dizia um gato aqui de casa, o Mijon, sempre freguês do sofá da sala, que esses santos de noite se movimentavam, andavam de um lado para outro, formavam roda de conversa e pareciam se divertir.
As pessoas que não acreditarem na capacidade do tristemente falecido Mijon me relatar os acontecimentos, perguntem ao poeta maior Celso Japiassú. Ele tem uma gata que fala e, além disso, discrimina. Não aceita a presença de algumas pessoas e fica emburrada.
Perguntem!